quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

“João Ubaldo Ribeiro — Um personagem que esqueceu de se incluir num dos seus oito livros"

TEXTO SEM DATA
SÉRGIO, Renato, “João Ubaldo Ribeiro — Um personagem que esqueceu de se incluir num dos seus oito livros, desde o primeiro, Setembro não tem sentido, escrito na flor dos vinte anos — agora reeditado —, até Viva o povo brasileiro, aos 40. E já pensando no próximo: O sorriso do lagarto. Frase padrão: ‘Baiano não nasce, estreia’”, Revista Ele Ela, texto sem data.

JUR: “Glauber foi um gênio da nacionalidade, o maior cineasta nacional, isso todo mundo tem que engolir, pra começo de conversa. O único que construiu uma linguagem autônoma que resolveu a necessidade de comunicar de tal maneira que forma e conteúdo estivessem efetivamente integrados na específica situação brasileira. Claro que ele sofria influência, e até profunda, de Jean-Luc Godard. Mas sua briga foi muito mais difícil, porque Glauber sempre esteve ameaçado de perder e só não perdeu porque tinha uma tal potência intelectual, uma tal pujança de imaginação e uma tal habilidade de viver — contraposta a uma proverbial inabilidade de viver — que permitiram que ele continuasse naquela briga de foice no escuro. E ele continuou porque brasileiro prefere Godard, prefere Bergman, prefere Kurosawa, prefere qualquer coisa, desde que não seja da gente. (...) Assim, no limite do que se poderia chamar ‘a loucura de Glauber’, ele produziu uma linguagem brasileira, sem xenofobias. E somos todos tão aculturados, nossas raízes se perderam tão profundamente, que encaramos como esquisito aquilo que é mais nosso. O que vem significar o ápice da enrabação de um povo por um vasto processo colonialista, aquele que faz você receber como de fora aquilo que mais lhe diz respeito”.

RS: "Um dia Glauber estava filmando Jece Valadão saindo da água com um peixe na mão, em Arambepe, João observando à distância. Mas Glauber viu João e gritou: ‘Tire a camisa, tire a camisa!’. A João foi entregue uma espingarda e ordenado que atirasse para o alto várias vezes, entes de virar a arma na direção [ilegível] Duarte, que passava o filme inteiro tocando violão. Foi tão bom o desempenho de João Ubaldo, que Glauber Rocha botou-lhe um 38 na mão, numa cena coletiva de multidão, o povo todo dançando, João deu mais tirinhos de cinema, inclusive no olho da câmera, e recitou o to be or not to be”.

JUR: “Foi meu amigo desde a adolescência. Difícil descrevê-lo, uma personalidade muito complexa, uma pessoa muito divertida, inteligente, intuitivo, um homem agradabilíssimo. Era amigo para caralho. Me dava muito bem com ele. Estou com saudades dele”.

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