domingo, 25 de dezembro de 2016

Aijaz Ahmad

“A mudança de um concepção primordialmente política para uma concepção culturalista tornou-se, então, ainda mais a-histórica porque surgiu num contexto acadêmico norte-americano que também testemunhou, depois que os radicalismos políticos dos anos de 1960 foram domesticados, o surgimento de uma ideologia específica que poderíamos chamar, no sentido estrito da palavra, de culturalismo — uma ideologia, em outras palavras, que trata a “cultura” não apenas como um forte aspecto de organização e comunicação social, mas como uma instância determinante. Achei muito surpreendente que, exatamente naquele momento histórico em que o capitalismo havia penetrado, pela primeira vez, os âmbitos mais longínquos não só das produções econômicas mas também das produções culturais, houvesse surgido uma ideologia que procurava deslocar o locus de determinação da economia política para a cultura.”

Aijaz Ahmad, “Prefácio à edição brasileira”, in: _____, Linhagens do presente — ensaios, org. Maria Elisa Cevasco, trad. Sandra Guardini Vasconcelos, São Paulo, Boitempo Editorial, 2002, p. 8-9.

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