quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Travessura: traduzo para saber como traduziria caso traduzisse

Springs

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch
because they are too near
lá, para onde não fui, na alegria seguinte a toda
experiência, teus olhos têm aquele silêncio:
em teu mais frágil gesto há o que me envolve
ou o que não toco, de tão perto
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose


teu mais leve olhar me descerra, fácil,
ainda que me cerre como se cerram dedos,
tu abres cada pétala de mim, como ela, primavera
(em toque hábil e secreto), a sua primeira rosa
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;


mas, se é teu desejo fechar-me, eu e
tudo em mim recuamos, súbita e belamente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve, atenta, em todo canto caindo
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing


nada do que vemos deste mundo pode igualar-se
à potência da tua intensa fragilidade: e esta textura
me instiga, junto às cores de todas as terras,
a render a morte e o sempre, com cada respiro
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands


(o que é isso em ti que fecha e abre eu não sei;
ou sei apenas que algo em mim compreende que
a voz dos teus olhos é mais profunda que rosas)
ninguém, sequer a chuva, tem mãos tão pequeninas


e. e. cummings

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