sexta-feira, 19 de outubro de 2007

"Para que serve um poema?"

Para que serve um poema? "Isto não é pergunta que se faça" é a resposta que se deve dar. Ou então: serve, no mínimo, para ser lido, e tudo o mais que decorrer daí é responsabilidade daquele que lê. Esta pergunta já foi feita pelos espíritos mais toscos e já foi aplicada não só a poemas mas também a romances e outras formas artísticas. A arte, e tudo o que pode ser inserido neste conceito, parece que sempre sofreu esta inquisição imposta pelo pragmatismo mais rasteiro. Não vou aprofundar esse assunto porque não saberia como aprofundar esse assunto sem me meter pelas páginas de alguma História da Literatura e das Artes. Mas vou continuar a brincadeira.

E agora pelo seguinte caminho: para que serve uma máquina? Oh, para muitas coisas – coisas certamente que se localizam para além da máquina. A máquina em si é apenas um meio. A máquina é sempre um meio. Concordo, e basta pensarmos em todas as máquinas que nos rodeiam para conseguirmos localizar, sem dificuldade, aquele objetivo que se situa depois da máquina. O liqüidificador e a máquina de espremer laranjas são um exemplo eloqüente. E paramos por aqui, por favor, que isto está ficando óbvio demais.

E agora? Para que serviu este parágrafo? Para colocar aqui o link de um vídeo que descobri um dia desses – o vídeo que filma uma máquina que não serve para nada a não ser para a vermos funcionar, e lindamente. Depois que a vi funcionando concluí, maravilhado, que aquilo não era uma máquina, mas um delicioso poema que anda pelas próprias pernas. O nome do engenheiro-poeta é Arthur Ganson, e o nome de sua máquina-poema é Wishbone – aquele ossinho da galinha que a gente usa para fazer pedidos. A máquina do Arthur é um poema por várias razões, uma delas, apenas uma delas, é porque utiliza dois materiais: um biológico e outro não biológico, e todo o engenho produz a sensação de que é o ossinho que puxa a máquina – o ossinho caminhante que vai arrastando, a passos de caranguejo, toda aquela engenhoca.

Não dá vontade de escrever uma resenha sobre esse poema-máquina, do mesmo modo como temos vontade de escrever uma resenha sobre um poema-letra? Está abaixo.

2 comentários:

Luiz Antônio Ryff disse...

Meu bom Juva,
Seja bem-vindo à blogosfera.
Saudações cariocas
Ryff

Juva Batella disse...

Meu bom Ryff, seja bem vindo ao meu mundo e ao mundo do meu cãozinho-blogue. Saudações oeirenses-lisboetas. Beijos, Juva