segunda-feira, 15 de outubro de 1979

“Fábula contra a burrice e a opressão"

1979-10-15
RIBEIRO, João Ubaldo, “Fábula contra a burrice e a opressão — Uma sátira doce e amarga”, Leia Livros, ano II, no 18, 15 out. a 14 nov. 1979 (resenha sobre Farda fardão camisola de dormir).

JUR: “Mestre Jorge Amado, 50 anos de militância, mais de vinte livros nas costas, milhões de volumes vendidos em todo o mundo, podia permitir-se escrever um romance simplesmente por diversão. (...) ... Jorge Amado tem sido visto, notadamente por críticos de direita, como Wilson Martins, e por todo o reacionarismo instalado num sistema educacional voltado para a preservação das elites econômicas (e seus jograis intelectuais) como uma espécie de estrangeiro. Disse o crítico Renato Pompeu, em frase muito feliz (Veja, no 576, p. 92), que ‘tais intelectuais costumam comportar-se diante da obra de Jorge Amado, como o europeu que pela primeira vez ouve uma batucada’. Simplesmente porque — simplificando um pouco as coisas, é claro — tanto se ‘internacionalizaram’ (ou seja, se entregaram, em todas as frentes) os nossos maiores centros urbanos e culturais, que a parte da cultura brasileira que, por causa do atraso e isolamento, se preservou, passou a ser vista como turística”.

“João Ubaldo depõe sobre Jorge Amado”: “Lembro duns versos que ouvi, num dia em que estávamos comentando o artigo de um jornalista cujo nome esqueço, artigo este que falava em como os baianos eram insuportáveis e em como Jorge não escrevia bem. Um homem que vendia versos, como até hoje se vende na Bahia, mercadoria fresca e individualizada, cantou:

‘Como pode Jorge Amado escrever mal,
se ele tem molejo natural?’".

quarta-feira, 26 de setembro de 1979

“Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos”

1979-09-26
CASTRO, Tarso de; RIBEIRO, João Ubaldo; PEDRO, A., “Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos” (entrevista a Chico Anísio), Enfim, ano I, no 3, Rio de Janeiro, 26 set. 1979.

Chico Anísio: “O brasileiro adora destruir um ídolo. Desde 68 que dizem que o Roberto Carlos acabou. Só que esqueceram de avisar para ele".

JUR: “É, Jorge Amado...”.

“Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos”

1979-09-26
CASTRO; Tarso de; RIBEIRO, João Ubaldo; PEDRO, A., “Chico Anísio — Proteger o artista não é dar TV pro Silvio Santos” (entrevista a Chico Anísio), Enfim, ano I, no3, Rio de Janeiro, 26 set. 1979.

JUR: “Como é que você imagina a sua imagem para o povo brasileiro, você tem uma ideia de como eles pensam de você?...”

CA: “Ah, eles olham para mim e dão risadas”.

JUR: “Existe um problema na cabeça das pessoas (...), que é achar que o que se faz como humorista não é sério...”

quinta-feira, 6 de setembro de 1979

“Eu sou Jorge Amado — Torga e Namora para o Nobel”

1979-09-06
AZEVEDO, Domingos de, “Eu sou Jorge Amado — Torga e Namora para o Nobel”, Tempos Magazine, 6 set. 1979.

DA: “A France Presse promoveu um inquérito para verificar a projeção da literatura latino-americana na Europa. Deu como resultado que entre os escritores mais destacados se encontram o colombiano Gabriel García Marques; os mexicanos Juan Rulfo, Carlos Fuentes e Octávio Paz; o uruguaio Juan Carlos Ornetti; o argentino Jorge Luis Borges; o peruano Mario Vargas Llosa; o venezuelano Otero Silva; e o brasileiro Jorge Amado”.

Jorge Amado: “Sobre o Nobel, minha opinião é conhecida: a ser concedido a um brasileiro, o justo será conferi-lo ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Sei que ele não o disputa e até se incomoda com o ruído feito em torno do seu nome sobre tal assunto — mas, se me perguntam, devo dar a minha opinião”.